Astro City e o tempo das histórias

Astro City e o tempo das histórias
Há alguns anos JM Straczynski criou a série Poder Supremo (aqui) e acreditei ser uma obra irretocável. Na necessidade de vender mais, a Marvel, o editor e o próprio escritor, autorizaram e orientaram outros a criar em cima da mitologia. Os produtos nem sempre foram bons.

Mas é assim. Poder Supremo e o Esquadrão Supremo é um produto da Marvel Comics e quando Straczynski for descansar no Senhor – ou não, ele é ateu – a editora já terá oferecido o produto a dezenas de outros autores.

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Kurt Busiek também criou uma mitologia extensa em Astro City. Existem pequenos detalhes que passam desapercebidos a quem não conhece a série a fundo e não necessitam serem explicados. Um exemplo é o Samaritano estar fazendo uma contagem quando encontra com Blindado em Astro City: O anjo caído.

Quem leu o primeiro volume da obra irá lembrar que o herói anseia voar livremente e conta quanto tempo passa realmente voando durante o dia.

É um detalhe importante para compor o personagem Samaritano, um herói preocupado em salvar a tudo e a todos e com os sonhos e desejos de um homem comum.

Busiek não ressalta isto a todo momento, mas faz quem está lendo O anjo caído se perguntar o por quê daquilo.

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Com tantas mitologias Kurt Busiek poderia ter escolhido apresentar as idéias para outros autores e deixar que estes trabalhassem.

Um exemplo claro é o Silver Agent. Desde o início da série o autor relatou que houve algo terrível com o personagem. A resposta demorou 10 anos para aparecer. Mas foi trazida pelo autor.

E sim, foi uma coisa lamentável!



 
 
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Claro que isto fará com que todas as tramas possíveis de Astro City, que não são poucas, nunca venham à tona em sua completude. Quinze anos após lançada, a série tem 55 edições publicadas (6 Astro City volume 1 + 23 Astro City volume 2 + 5 Astro City Local Heroes + 1 Special Supersonic + 1 Special Visitors Guide + 1 Special Samaritan + 1 Special Beautie + 1 Special Silver Agent + 16 Astro City: Dark Age) e somente agora em 2010 é que teve uma série mensal realmente, o volume 4 do arco Dark Age.

É uma pena, mas foi o mesmo com – por exemplo – Tintim, personagem franco-belga. Depois da morte de Hergé o personagem cultuado não recebeu novos álbuns, apenas reedições dos criadores pelo autor.

Não sei dizer se Astro City e sua mitologia terá a força da obra de Hergé, mas gostaria de, daqui há alguns anos, ver a sempiterna equipe produzindo histórias que ressaltem os valores apontados por Busiek.

Artigo histórico preservado do acervo original publicado no Blogger em 14 de agosto de 2010. Ver registro original no Blogger →