Torpedo 1972 (2020)

Torpedo 1972 (2020)

Eu tenho a ilusão que os escritos deste blog irão permanecer mais alguns anos e serão lidos, não por todos que eu gostaria, mas por vários, o quê já será em si, muito bom. Gostaria de atingir milhares, mas fica feliz com a dezena que os anos me darão.

Projetos de financiamento e quadrinhos latinos terão um capítulo próprio quando forem escrever a história dos quadrinhos no Brasil no século XXI. Especialmente no período 2018-2021. As plataformas de financiamento pipocavam projetos de quadrinhos italianos os Bonelli preteridos e os não Bonelli e havia vários projetos de autores argentinos e espanhóis; sem contar novas editoras que estabeleceram seus catálogos com foco em produto com estas características – e não quero fazer nenhum juízo de valor.

Torpedo 1972 é um álbum com um que de excêntrico. O volume 1 do material clássico (Torpedo 1936) havia tido uma campanha vitoriosa no Catarse, uma plataforma de financiamento, e em apenas 23h 45min havia alcançado sua meta – mas a pandemia atrasou o envio para o início de novembro. Então o álbum que era um posfácio para a obra também surgiu como campanha na mesma plataforma, mas sem o mesmo sucesso. Transformou-se, no entanto, em um lançamento repentino para todos, porque havíamos crido que o projeto seria repensado e aguardaria uma nova campanha, algo muito comum no mundo dos financiamentos coletivos. Mas os editores nacionais decidiram publicar o material que ficou disponível para compra no fim de setembro de 2020 e foi enviado durante a primeira quinzena de outubro. Ironicamente, apesar de diversos anúncios de andamento da outra campanha, a vitoriosa, os volumes ainda não haviam sido enviados por completo – algo relacionado a atrasos provocados pela Pandemia de Covid-19.

[Trama]

Ilustrado com talento por Eduardo Risso (100 balas) e com o texto afiado do mesmo Enrique Sánchez Abulí, Torpedo 1972 tem um quê de história triste, de fim opaco da vida. Luca Torelli, o Torpedo do título, e seu auxiliar vivem em uma Nova Iorque que está vendo a estreia de “O Poderoso Chefão”, o quê traz a Máfia e o crime organizado à pauta do dia. Torpedo é uma sombra triste de outrora. Se alimenta de pombos que mata no parque, viver em um cortiço e tem Mal de Parkinson. Uma chance de ganhar alguns dólares surge quando um repórter o entrevista e “cria” uma declaração explosiva sobre mortes nos anos dourados.

O álbum é isto. Limpo. Seco. Honesto. Não se propõe a uma nova trilogia, uma releitura, uma redescoberta, mas sim a exibir o ocaso de um personagem que viveu glórias e luxos e agora está esperando a morte chegar – ecoando o drama de Corrado “Junior” Soprano.

Um excelente lançamento que ficará apagado em 2020, ano em que tivemos excelentes produtos sendo ofertados. Mas nós registramos!

Artigo histórico preservado do acervo original publicado no Blogger em 26 de outubro de 2020. Ver registro original no Blogger →