Darwinia (1998), Robert Charles Wilson

Darwinia (1998), Robert Charles Wilson

Comecei a trabalhar com computadores no distante ano de 1989, ainda que diariamente só a partir de 1992. Reforço então que desde 1992 até hoje (início de abril de 2022) todos os dias de minha vida eu estou mexendo em sistemas operacionais e programas cujo foco é “a facilidade de uso do usuário final” - há muita ironia nesta frase. Mas as mídias em que gravamos as informações nunca foram as mais confiáveis. Não raro o HD (ou winchester, para os muito velhos) ou o disquete de 5 ¼ ou 3 ½ polegadas dava erro e havia uma perda de dados.

O mantra pessoal “Faça backup!” começou aí.

Já houve alguns erros onde usei ferramentas de recuperação e recebi de volta um arquivo truncado, faltando partes e com partes coladas em lugares distintos.

Imagino que esta tenha sido a inspiração para “Darwinia” e se não foi esta é a impressão que fica.

Em 1912 ocorre “o milagre” onde o continente europeu é substituído por uma versão anterior de si – e o autor foge do óbvio “terra dos dinossauros”, indo bem mais longe. Isto muda o mundo (claro!) e a Europa, agora “Darwinia” se torna uma terra a ser desbravada com fauna e flora levemente distintas, sendo especial as cobras com pelos, indicando que poderia aquela área ter seguido um processo evolucionário distinto; enquanto na América há a ascensão dos conservadores que creem que o ocorrido é um ato divino.

Dividido em quatro momentos que se passam ao longo deste século XX alterado (o subtítulo na capa é "A novel of a very differente 20th century", somos impactados na verdade, pelo primeiro ato que se passa durante uma expedição ao novo continente e as relações familiares de Guilford Law que não se tornará o personagem narrador, mas aquele que será mais importante na trama. Há também nesta primeira parte uma invasão à Londres promovido por americanos. Depois os sobreviventes são assombrados pelos “fantasmas” de suas decisões. Mas o autor entrega rápido a trama e explica tudo com 40% do livro. A partir daí fica perigosamente tedioso e melhorando em alguns momentos em que há saltos temporais. Só não convence definitivamente.

Poderia ser um excelente plot para uma minissérie de TV, mas como literatura parece-me uma boa ideia mal aproveitada com um foco errado.Especialmente quando descobrimos que muito disto se trata de uma cópia de segurança feita com erro.

Artigo histórico preservado do acervo original publicado no Blogger em 01 de abril de 2022. Ver registro original no Blogger →