The last colony (2007), John Scalzi

The last colony (2007), John Scalzi

  

Reli “A última colônia” para reingressar nas Forças Coloniais de Defesa e encarar a segunda trilogia publicada há pouco pela Editora Aleph. Na verdade não há uma “segunda trilogia” porque os livros são coletâneas de contos e uma versão ampliada de parte dos eventos de “A última colônia”, mas é bom para o marketing que seja referido assim. Tecnicamente em uma possível série de TV é capaz de os produtores usarem este material para enriquecer as tramas paralelas.

Não sou isento para julgar os escritos de Scalzi: gosto muito dos diálogos que ele cria e as situações ainda que, eventualmente o resultado final não seja revolucionário – o romance sobre os “kaiju” foi algo… esquecível.

Mas quem quer revolução, não é?

Nossos velhos conhecidos, John Perry e Jane Sagan estão “aposentados” cuidado de uma colônia menor, sendo o ombudsman e agente da lei, respectivamente. Lá estão Z, que adotaram ao final do volume anterior, e o par de obins que cuidam dela, visto que esta raça artificial a adora como uma deusa viva.

Então nossos velhos combatentes são convocados para organizarem o primeiro assentamento em uma nova colônia chamada “Roanoke”, que faz alusão à colônia inglesa “original” na América – vide “A tempestade do século” (série de TV escrita originalmente para a TV por Stephen King), “Os Sete Soldados” de Grant Morrison (saga da DC Comics), “It, a coisa” (livro de Stephen King onde a cidade fictícia de Derry é basicamente uma alusão a Roanoke), “MK 1602” (quadrinho da Marvel Comics escrito por Neil Gaiman) e dezenas de citações menores.

John e Jane aceitam a missão mas estranham que haja uma concentração de menonitas e muitos materiais para cultivo de forma não tecnológica. E então, o quê os leitores desconfiam ocorre: eles são abandonados na nova colônia, que não é o planeta que eles visitaram com antecedência e proibidos de usarem tecnologia rastreável pois uma organização adversária chamada “O Conclave” criou um édito em que não deve haver novas colônias. E ninguém se preocupou em relatar isto para o pessoal em Roanoke.

O problema se desdobra em dois. O primeiro é “simples”: O planeta é habitado por uma raça feroz e disposta a atacá-los. O segundo é: Quanto tempo estarão abaixo do radar desta organização e qual a agenda dela?


“A última colônia” fala muito sobre escolhas e como elas são retiradas se nós. Sim, o problema da imigração e do imigrante estão lá, mas são tratados de forma secundária. O conflito entre os colonos e a espécie nativa de Roanoke não é tratado a contento, parece-me simplesmente abandonado em prol de um problema ainda maior.

Leitores perceberão as críticas que Scalzi faz aos governos e aos militares e seus planos de usar populações civis como isca, alvo ou mártir, mas realmente o autor pesou pouco a mão. Refletindo um pouco, ele critica pouco estas ações ainda que fique claro que os personagens principais da trama desaprovam as manipulações.

“A última colônia” é uma excelente fim para a trama de Perry & Sagan, mas como o próprio autor diz, fica claro que um dia ele retomará o universo das Forças Coloniais de Defesa e com mais do que vários contos. Penso seriamente que o material intitulado "segunda trilogia" ainda não é a palavra final de Scalzi para este universo, mesmo que, no momento, eu não a tenha lido ainda.

Divertido, mas indicado para os leitores que leram os volumes anteriores.

Artigo histórico preservado do acervo original publicado no Blogger em 06 de dezembro de 2024. Ver registro original no Blogger →